Comportamento Infantil

Nesta semana, dois casos de crianças considerados fora do comportamento ideal repercutiram na mídia. O primeiro e o mais debatido foi o da jovem negra, agredida por um policial branco, por não se “comportar” e se recusar a sair da sala de aula. O segundo, foi de um menino, que foi filmado destruindo uma sala, em sua escola, as/os funcionárias/os tentam o segurar, mas desistiram ao perceberem os comentários de seus colegas. Ambos os vídeos demonstram os comportamentos das alunas e alunos em sala de aula e qual o comportamento a sociedade espera delas e deles.

Nos EUA, o debate sobre violência policial nas escolas, vem tomando força, e o que me assusta, primordialmente, não é propriamente a violência policial, mas o fato da

Pessoas que acreditam que foi certo e que não existe racismo no caso.

Pessoas que acreditam que foi certo e que não existe racismo no caso.

polícia estar presente no âmbito escolar. A polícia norte-americana combate os comportamentos não normativos com repressão, sempre usando uma lógica punitiva para encaixar as/os alunas/os fora do padrão, principalmente com as/os alunas/os negras/os. A violência nas escolas não está somente ligada ao punitivismo e ao moralismo, está intimamente ligada à classe social e à raça. Onde terão que chegar para tirar a polícia das escolas? Uma polícia classicista, racista, repressiva e totalmente despreparada humanamente. Além de todos esses fatores que envolvem a polícia, outro fator preocupante é o molde que a sociedade tenta encaixar as nossas crianças em todos os meios, principalmente na escola, onde se deve seguir rígidas normas morais, as quais não respeitam as mínimas peculiaridades das crianças, como podemos citar o caso do garoto de oito anos, algemado por ser hiperativo.

Voltando ao Brasil, a reação dos professores foi contrária à dos EUA, os quais pediram aos seus colegas que não fizessem nada contra ele fisicamente,

Pessoas "revoltadas" com o garoto.

Pessoas “revoltadas” com o garoto.

mas houve violência, sim. O episódio, foi gravado e colocado nas redes sociais, expondo o garoto a comentários maldosos e cheios de ódio, pouquíssimas pessoas tentaram entender o ocorrido, a grande maioria incitou a violência contra o garoto. Não se leva em conta em nenhum momento, como o ensino brasileiro é precário, hierárquico, opressor e nada favorável ao estudo, um local que mais estressa as crianças do que lhes dá prazer. Também devemos levar em consideração que geralmente as crianças tem dificuldade de se expressar e provavelmente aquele garoto achou que aquela era a única maneira de expressar o que ele estava sentindo, mais do que isso, o que ele pode estar vivendo, e nós como sociedade não podemos ignorar isso e considerar o fato apenas como mais um caso de rebeldia e responder àquela ação com repressão e mais violência. E quando digo violência, não me refiro somente a ações físicas.

O ponto que eu quero chegar e que estou tendo mais dificuldade para expressar que esta criança, é que devemos tratar nossas/os meninas/os de uma forma mais amorosa, regada de muito diálogo e sem repressões. Precisamos aumentar

Alguém que crê no amor, como forma de educação ♥. Porém, foi incompreendida.

Alguém que crê no amor como forma de educação ♥. Porém, foi incompreendida.

nossa sensibilidade para entender a linguagem das crianças e jovens, que pode não ser transmitida de uma forma normativa. Precisamos entender que cada criança é diferente e não podemos simplesmente estabelecer regras que não respeitem a diversidade. Precisamos entender as linguagens e as particularidades de cada ser.

Igor N. Lins

Prefeitura do Rio VS Malala Yousafzay

Após duas reportagens impactantes no universo da educação nesta semana, não poderia deixar de compartilhar meu adendo sobre essas notícias que demonstram caminhos opostos nos quais nossas escolas podem estar para trilhar.

A primeira é a da abominável propaganda da prefeitura do Rio de Janeiro publicada no jornal O Globo no último domingo, dia 7, que mostra crianças em uma esteira de um processo fabril com a seguinte descrição: “Nossa linha de produção é simples. Construímos escolas, formamos cidadãos e criamos futuro. Fábrica de Escolas do Amanhã. Mais educação para o Rio de Janeiro”.

A segunda notícia é a da premiação do Nobel da Paz para Kailash Satyarthi e Malala Yousafzay nessa quarta, dia 10. O indiano Satyarthi lutou contra o trabalho escravo infantil. Já Malala, de apenas 17 anos – a pessoa mais jovem ganhadora do prêmio Nobel –, que, por meio de pseudônimo, retratou a realidade da ocupação Taliban no Paquistão aos seus 11 e 12 anos. Hoje, ela milita pelos direitos das mulheres à educação, proibida pelo movimento Taliban.

Malala sofreu um atentado em 2012, um tiro que a manteve em estado grave. No entanto, ela sobreviveu e, em seu discurso na ONU, um ano após o ataque, falou: “Os extremistas têm medo dos livros e das canetas. O poder da educação os assusta e eles têm medo das mulheres. O poder da voz das mulheres os apavora”.

Queremos, assim, uma educação como a proposta pela prefeitura do Rio: mecânica, que estimula a padronização e não a diversidade e a criatividade individual? Vejo, como Malala, a educação como um meio libertador, contrário a todas as formas de opressão. E acredito que o Política na Escola está aí para propor uma educação que dê voz às diversidades identitárias que são caladas por estruturas obsoletas de ensino que assolam escolas do mundo inteiro.

Pedro Caio

Pequenos Sonhadores

Sonhar… o que isso significa? Somente aquilo que desejamos para o futuro? Mais que isso, o sonho é uma meta, e sem ele estaríamos perdidos. E quem são os melhores exemplos de sonhadores? Respondo sem hesitar que são as crianças que, em sua ingenuidade e inocência, conseguir enxergar muito além disso e ver a beleza que existe em acreditar em si mesmo e naquilo que sonha. E o papel dos ‘crescidos’? Encorajá-las. Já dizia Shakespeare: “Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.”

Fernanda Souza