Educação Infantil

IMG-20171014-WA0011A influência de boas ações e projetos motivadores reflete diretamente no comportamento e desenvolvimento dos alunos, neste sentido, o projeto Política na Escola é responsável por exercer um importante papel para a educação primária. As dinâmicas do projeto auxiliam as crianças a pensarem temas e conceitos diferentes dos trabalhados rotineiramente em sala de aula. Assim, ajuda a ampliar e desenvolver o senso crítico. A educação infantil é a primeira porta de acesso da criança à sociedade, onde ela tem a oportunidade de construir suas hipóteses e aprendizagens sobre o mundo, além disso, é um direito humano e social de todas as crianças até seis anos de idade, sem distinção decorrente de origem geográfica, caracteres do fenótipo (cor da pele, traços de rosto e cabelo), da etnia, nacionalidade, sexo, de deficiência física ou mental, nível socioeconômico ou classe social. Também não está atrelada à situação trabalhista dos pais nem ao nível de instrução, religião, opinião política ou orientação sexual.

Alice Gomes e Brunna Fernanda
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A educação brasileira não pode esperar mais 20 anos

O projeto de extensão Política na Escola sempre se manteve compromissado com a escola libertária e desenvolvimentista de Paulo Freire. Por isso, se coloca contra a PEC 55 em tramitação no Senado Federal e ao projeto Escola Sem Partido em tramitação na Câmara dos Deputados (PL 867/2015). Desenvolver o senso crítico e fortalecer a intelectualidade das crianças é nossa função primeira. Congelar os gastos da educação pública brasileira e silenciar nossos professores e professoras não é nada além de retrocesso.

Nosso real intuito quando visitamos as escolas e nos encontramos com as crianças não é levar as ultrapassadas hierarquias e estruturas academicistas para dentro da sala de aula, e sim relacionar a escola com a realidade das crianças. A escola não é um núcleo isolado, é lugar de desdobramentos morais, é lugar de influência.

O projeto Escola Sem Partido faz com que as crianças, que certamente serão o futuro do país, se enfraqueçam pela precarização do sistema de ensino no Brasil. As crianças precisam ser guiadas pela criatividade, pluralidade, respeito e principalmente sem limitações para com suas capacidades de pensar. O discurso de doutrinação, que se esconde e se acoberta atrás de ideais conservadores e retrógrados, não assusta nosso Projeto. Nossa preocupação com o desenvolvimento de futuras gerações é muito maior do que o medo de ver o mundo se transformar.

Diante disso, queremos registrar o nosso apoio às ocupações nas escolas e universidades de todo o país e reafirmamos que estamos juntos e juntas aos alunos e alunas nessa caminhada diária contra a perca de direitos e a favor de um ensino público de qualidade. Essa luta também é nossa, essa luta é de todos!

Aurélio Oliveira, Igor Henrique, Luiz Felipe e Paula Trindade

Consciência Negra

Vivemos boa parte de nossa infância na escola. Lá somos incentivados a aprender a ler, a escrever, a fazer continhas e a escolher o que queremos fazer pelo resto de nossas vidas. A escola, porém, não se resume a um lugar de aprendizagem formal, lá aprendemos o que é viver em comunidade e a socializar, criamos amigos para a vida inteira e compartilhamos momentos de nossas vidas, aprendemos a criar histórias e a sermos protagonistas dessas histórias.

Contudo, é importante destacar que apesar da escola ser um local único e inesquecível em nossas vidas, esses momentos foram marcados por nossas vivências e vontades.  Mas o que acontece quando temos partes dessas vivências invisibilizadas? O que acontece quando crescemos sem saber quem é Zumbi dos Palmares, Dandara, Abdias do Nascimento, Milton Santos, dentre tantos outros? Sem saber de fato o que foi a escravidão e o que ela gerou para a nossa sociedade? O que foram e são os Quilombos, quem são nossos ancestrais e por que somos quem somos? O que acontece quando conhecemos só uma parte da história? O quanto isso influência na formação da criança?

Nossas crianças se veem presas na corrente do preconceito se excluindo da sociedade ou excluindo o outro. Nossas crianças não percebem que o lápis “cor da pele”, na verdade não representa suas peles. Nossas crianças se assustam ao perceberem que pretos podem fazer parte da história e que quando crescerem, podem sim adentrar em uma universidade pública. É isso que acontece quando não conhecemos uma cultura tão rica na escola, lugar que forma boa parte do cidadão e que apresenta o mundo as nossas crianças.

Muito se escuta na escola que todos somos iguais, que todos somos uma unidade e que devemos tratar todos da mesma forma. Digo então que não, ninguém é igual, não somos uma unidade. Somos diferentes, complexos, cheios de peculiaridades e semelhanças, e enquanto formos tratados como unos, não somos capazes de partilhar a ideia de sermos inteiros.

Por sabermos que não somos iguais, reconhecemos a importância de conscientizar as crianças e mostrar a elas que o dia da Consciência Negra não deve ser somente um dia, devemos nos conscientizar todos os dias. Devemos reconhecer que a vida das pessoas negras sempre foi difícil, desde o Brasil Colônia, e com pesar reconhecer que infelizmente a condição da vida de negras e negros no Brasil não mudou muito hoje em dia. Todos os dias ainda vemos notícias de crianças que não conseguem se aceitar, crianças que morrem, crianças que sentem vergonha de sua cor da pele, sem saber reconhecer a riqueza e ancestralidade desse povo.

O Política na Escola acredita que a criança é capaz de agir e ser agente ativo de suas decisões, para isso ela deve ter a possibilidade de ter contato com matérias e experiências que abarquem o questionamento feito por elas do que é ser negro, o que é consciência negra, da leitura do negro no cotidiano e o que é empoderamento negro. Acreditamos que essas questões serão resolvidas a partir da inclusão de matérias, debates, celebrações e brincadeiras que tratem sobre a cultura, a vida e os hábitos dessas pessoas, que são sim, maravilhosas.

Visitem o Tumblr para ver 100 livros infantis com meninas negras:

https://100meninasnegras.tumblr.com/

Ana Beatriz Figueiredo e Thaís Cardoso