A educação brasileira não pode esperar mais 20 anos

O projeto de extensão Política na Escola sempre se manteve compromissado com a escola libertária e desenvolvimentista de Paulo Freire. Por isso, se coloca contra a PEC 55 em tramitação no Senado Federal e ao projeto Escola Sem Partido em tramitação na Câmara dos Deputados (PL 867/2015). Desenvolver o senso crítico e fortalecer a intelectualidade das crianças é nossa função primeira. Congelar os gastos da educação pública brasileira e silenciar nossos professores e professoras não é nada além de retrocesso.

Nosso real intuito quando visitamos as escolas e nos encontramos com as crianças não é levar as ultrapassadas hierarquias e estruturas academicistas para dentro da sala de aula, e sim relacionar a escola com a realidade das crianças. A escola não é um núcleo isolado, é lugar de desdobramentos morais, é lugar de influência.

O projeto Escola Sem Partido faz com que as crianças, que certamente serão o futuro do país, se enfraqueçam pela precarização do sistema de ensino no Brasil. As crianças precisam ser guiadas pela criatividade, pluralidade, respeito e principalmente sem limitações para com suas capacidades de pensar. O discurso de doutrinação, que se esconde e se acoberta atrás de ideais conservadores e retrógrados, não assusta nosso Projeto. Nossa preocupação com o desenvolvimento de futuras gerações é muito maior do que o medo de ver o mundo se transformar.

Diante disso, queremos registrar o nosso apoio às ocupações nas escolas e universidades de todo o país e reafirmamos que estamos juntos e juntas aos alunos e alunas nessa caminhada diária contra a perca de direitos e a favor de um ensino público de qualidade. Essa luta também é nossa, essa luta é de todos!

Aurélio Oliveira, Igor Henrique, Luiz Felipe e Paula Trindade

Consciência Negra

Vivemos boa parte de nossa infância na escola. Lá somos incentivados a aprender a ler, a escrever, a fazer continhas e a escolher o que queremos fazer pelo resto de nossas vidas. A escola, porém, não se resume a um lugar de aprendizagem formal, lá aprendemos o que é viver em comunidade e a socializar, criamos amigos para a vida inteira e compartilhamos momentos de nossas vidas, aprendemos a criar histórias e a sermos protagonistas dessas histórias.

Contudo, é importante destacar que apesar da escola ser um local único e inesquecível em nossas vidas, esses momentos foram marcados por nossas vivências e vontades.  Mas o que acontece quando temos partes dessas vivências invisibilizadas? O que acontece quando crescemos sem saber quem é Zumbi dos Palmares, Dandara, Abdias do Nascimento, Milton Santos, dentre tantos outros? Sem saber de fato o que foi a escravidão e o que ela gerou para a nossa sociedade? O que foram e são os Quilombos, quem são nossos ancestrais e por que somos quem somos? O que acontece quando conhecemos só uma parte da história? O quanto isso influência na formação da criança?

Nossas crianças se veem presas na corrente do preconceito se excluindo da sociedade ou excluindo o outro. Nossas crianças não percebem que o lápis “cor da pele”, na verdade não representa suas peles. Nossas crianças se assustam ao perceberem que pretos podem fazer parte da história e que quando crescerem, podem sim adentrar em uma universidade pública. É isso que acontece quando não conhecemos uma cultura tão rica na escola, lugar que forma boa parte do cidadão e que apresenta o mundo as nossas crianças.

Muito se escuta na escola que todos somos iguais, que todos somos uma unidade e que devemos tratar todos da mesma forma. Digo então que não, ninguém é igual, não somos uma unidade. Somos diferentes, complexos, cheios de peculiaridades e semelhanças, e enquanto formos tratados como unos, não somos capazes de partilhar a ideia de sermos inteiros.

Por sabermos que não somos iguais, reconhecemos a importância de conscientizar as crianças e mostrar a elas que o dia da Consciência Negra não deve ser somente um dia, devemos nos conscientizar todos os dias. Devemos reconhecer que a vida das pessoas negras sempre foi difícil, desde o Brasil Colônia, e com pesar reconhecer que infelizmente a condição da vida de negras e negros no Brasil não mudou muito hoje em dia. Todos os dias ainda vemos notícias de crianças que não conseguem se aceitar, crianças que morrem, crianças que sentem vergonha de sua cor da pele, sem saber reconhecer a riqueza e ancestralidade desse povo.

O Política na Escola acredita que a criança é capaz de agir e ser agente ativo de suas decisões, para isso ela deve ter a possibilidade de ter contato com matérias e experiências que abarquem o questionamento feito por elas do que é ser negro, o que é consciência negra, da leitura do negro no cotidiano e o que é empoderamento negro. Acreditamos que essas questões serão resolvidas a partir da inclusão de matérias, debates, celebrações e brincadeiras que tratem sobre a cultura, a vida e os hábitos dessas pessoas, que são sim, maravilhosas.

Visitem o Tumblr para ver 100 livros infantis com meninas negras:

https://100meninasnegras.tumblr.com/

Ana Beatriz Figueiredo e Thaís Cardoso

Comportamento Infantil

Nesta semana, dois casos de crianças considerados fora do comportamento ideal repercutiram na mídia. O primeiro e o mais debatido foi o da jovem negra, agredida por um policial branco, por não se “comportar” e se recusar a sair da sala de aula. O segundo, foi de um menino, que foi filmado destruindo uma sala, em sua escola, as/os funcionárias/os tentam o segurar, mas desistiram ao perceberem os comentários de seus colegas. Ambos os vídeos demonstram os comportamentos das alunas e alunos em sala de aula e qual o comportamento a sociedade espera delas e deles.

Nos EUA, o debate sobre violência policial nas escolas, vem tomando força, e o que me assusta, primordialmente, não é propriamente a violência policial, mas o fato da

Pessoas que acreditam que foi certo e que não existe racismo no caso.

Pessoas que acreditam que foi certo e que não existe racismo no caso.

polícia estar presente no âmbito escolar. A polícia norte-americana combate os comportamentos não normativos com repressão, sempre usando uma lógica punitiva para encaixar as/os alunas/os fora do padrão, principalmente com as/os alunas/os negras/os. A violência nas escolas não está somente ligada ao punitivismo e ao moralismo, está intimamente ligada à classe social e à raça. Onde terão que chegar para tirar a polícia das escolas? Uma polícia classicista, racista, repressiva e totalmente despreparada humanamente. Além de todos esses fatores que envolvem a polícia, outro fator preocupante é o molde que a sociedade tenta encaixar as nossas crianças em todos os meios, principalmente na escola, onde se deve seguir rígidas normas morais, as quais não respeitam as mínimas peculiaridades das crianças, como podemos citar o caso do garoto de oito anos, algemado por ser hiperativo.

Voltando ao Brasil, a reação dos professores foi contrária à dos EUA, os quais pediram aos seus colegas que não fizessem nada contra ele fisicamente,

Pessoas "revoltadas" com o garoto.

Pessoas “revoltadas” com o garoto.

mas houve violência, sim. O episódio, foi gravado e colocado nas redes sociais, expondo o garoto a comentários maldosos e cheios de ódio, pouquíssimas pessoas tentaram entender o ocorrido, a grande maioria incitou a violência contra o garoto. Não se leva em conta em nenhum momento, como o ensino brasileiro é precário, hierárquico, opressor e nada favorável ao estudo, um local que mais estressa as crianças do que lhes dá prazer. Também devemos levar em consideração que geralmente as crianças tem dificuldade de se expressar e provavelmente aquele garoto achou que aquela era a única maneira de expressar o que ele estava sentindo, mais do que isso, o que ele pode estar vivendo, e nós como sociedade não podemos ignorar isso e considerar o fato apenas como mais um caso de rebeldia e responder àquela ação com repressão e mais violência. E quando digo violência, não me refiro somente a ações físicas.

O ponto que eu quero chegar e que estou tendo mais dificuldade para expressar que esta criança, é que devemos tratar nossas/os meninas/os de uma forma mais amorosa, regada de muito diálogo e sem repressões. Precisamos aumentar

Alguém que crê no amor, como forma de educação ♥. Porém, foi incompreendida.

Alguém que crê no amor como forma de educação ♥. Porém, foi incompreendida.

nossa sensibilidade para entender a linguagem das crianças e jovens, que pode não ser transmitida de uma forma normativa. Precisamos entender que cada criança é diferente e não podemos simplesmente estabelecer regras que não respeitem a diversidade. Precisamos entender as linguagens e as particularidades de cada ser.

Igor N. Lins