Política na Escola e a Educação Horizontal

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Fachada da escola escolhida para a atuação do projeto em 2018

Muito se fala sobre como os brasileiros são, majoritariamente, pessoas despolitizadas. Afinal, “política, religião e futebol não se discutem”. Porém, é curioso atestar que embora essa ideia seja comum e repetitiva, ela revela claramente um problema endêmico no país: a falta de educação política nas escolas.

Aliás, quando se fala em política, muitas pessoas relacionam o termo diretamente a imagens e palavras de cunho negativo. Eleições e suas respectivas propagandas falaciosas, corrupção, discussões que não chegam a um consenso, intolerância.

Para reverter esse quadro, foi criado em 2004 o projeto de extensão Política na Escola, da Universidade de Brasília, o qual consiste em se utilizar da educação horizontal para construir um conhecimento conjunto nas escolas da periferia do DF sobre tal tema tão estigmatizado no país: a política.  A política para além do que superficialmente se conhece; temas como representação, democracia e participação são presentes nos debates criados nas escolas. As crianças são estimuladas a pensar em política em várias ordens, em enxergá-la no seu cotidiano a fim de se verem como cidadãos que podem exercê-la. Não existe uma relação hierárquica entre os monitores do projeto e as crianças: não falamos e falamos e as crianças apenas ouvem e consentem. A educação horizontal, que desde o início norteou o andamento do projeto – e de certa forma, foi e é um fator preponderante para sua credibilidade e continuidade –, possibilita um novo lugar pedagógico. Com dinâmicas e discussões que retiram o aluno da posição de mero ouvinte e o coloca como motor do aprendizado, a ideia é, assim, impulsionar reações criativas às dinâmicas e proporcionar reflexões.

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Primeiro encontro na Escola Classe 401 do Recanto das Emas (04/05)

Apesar de ser criação do Instituto de Ciência Política, o projeto de extensão é aberto a todos os cursos da Universidade. Não atende à comunidade acadêmica somente no quesito de participação dos universitários. Há uma pesquisa contínua existente no projeto, na qual são coletados dados sobre os encontros quinzenais e estes estão disponíveis para o uso em artigos, teses e demais trabalhos acadêmicos que queiram discorrer sobre os temas centrais trabalhados com as crianças. Além da pesquisa, o projeto concentra outras áreas de atuação interna, tais como as coordenadorias de administração e comunicação, por exemplo.

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Hora Cívica na Escola Classe 401

No primeiro semestre de 2018, atuaremos na Escola 401 do Recanto das Emas. Dentre várias expectativas, a expectativa geral para os novos integrantes do projeto é ter um contato real e humano com o ambiente escolar. Serão encontros quinzenais, em grupos de três ou quatro pessoas em cada sala, com turmas do ensino fundamental, nas quais abordaremos as questões citadas anteriormente de forma dinâmica e criativa. Pretendemos contribuir positivamente na formação do pensamento crítico e trazer à tona o sentimento de participação – adormecido na maioria dos brasileiros – para essas crianças.

Afinal, se as crianças são o futuro do país, é imprescindível fazê-las pensar em política.

 

                                                                                                                                Ana Luíza Aguiar.

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Educação Infantil

IMG-20171014-WA0011A influência de boas ações e projetos motivadores reflete diretamente no comportamento e desenvolvimento dos alunos, neste sentido, o projeto Política na Escola é responsável por exercer um importante papel para a educação primária. As dinâmicas do projeto auxiliam as crianças a pensarem temas e conceitos diferentes dos trabalhados rotineiramente em sala de aula. Assim, ajuda a ampliar e desenvolver o senso crítico. A educação infantil é a primeira porta de acesso da criança à sociedade, onde ela tem a oportunidade de construir suas hipóteses e aprendizagens sobre o mundo, além disso, é um direito humano e social de todas as crianças até seis anos de idade, sem distinção decorrente de origem geográfica, caracteres do fenótipo (cor da pele, traços de rosto e cabelo), da etnia, nacionalidade, sexo, de deficiência física ou mental, nível socioeconômico ou classe social. Também não está atrelada à situação trabalhista dos pais nem ao nível de instrução, religião, opinião política ou orientação sexual.

Alice Gomes e Brunna Fernanda

A educação brasileira não pode esperar mais 20 anos

O projeto de extensão Política na Escola sempre se manteve compromissado com a escola libertária e desenvolvimentista de Paulo Freire. Por isso, se coloca contra a PEC 55 em tramitação no Senado Federal e ao projeto Escola Sem Partido em tramitação na Câmara dos Deputados (PL 867/2015). Desenvolver o senso crítico e fortalecer a intelectualidade das crianças é nossa função primeira. Congelar os gastos da educação pública brasileira e silenciar nossos professores e professoras não é nada além de retrocesso.

Nosso real intuito quando visitamos as escolas e nos encontramos com as crianças não é levar as ultrapassadas hierarquias e estruturas academicistas para dentro da sala de aula, e sim relacionar a escola com a realidade das crianças. A escola não é um núcleo isolado, é lugar de desdobramentos morais, é lugar de influência.

O projeto Escola Sem Partido faz com que as crianças, que certamente serão o futuro do país, se enfraqueçam pela precarização do sistema de ensino no Brasil. As crianças precisam ser guiadas pela criatividade, pluralidade, respeito e principalmente sem limitações para com suas capacidades de pensar. O discurso de doutrinação, que se esconde e se acoberta atrás de ideais conservadores e retrógrados, não assusta nosso Projeto. Nossa preocupação com o desenvolvimento de futuras gerações é muito maior do que o medo de ver o mundo se transformar.

Diante disso, queremos registrar o nosso apoio às ocupações nas escolas e universidades de todo o país e reafirmamos que estamos juntos e juntas aos alunos e alunas nessa caminhada diária contra a perca de direitos e a favor de um ensino público de qualidade. Essa luta também é nossa, essa luta é de todos!

Aurélio Oliveira, Igor Henrique, Luiz Felipe e Paula Trindade