Antes de ser parte da UnB eu já tinha certeza que a universidade me proporcionaria grandes aprendizados, mas não sabia ao certo quais e como.  Essa certeza me motivava a não abrir mão da Universidade de Brasília como escolha para começar a traçar efetivamente meu futuro profissional e pessoal.  Então, logo no primeiro semestre, decidi conhecer os segmentos do curso de Ciência Política a fim de não ficar restrita ao ambiente de sala de aula e explorar o tal tripé universitário que me foi apresentado, composto além do ensino, por pesquisa e extensão.

Interessei-me, desde o princípio, pelo projeto de extensão Política na Escola por se tratar de um trabalho que envolve crianças, política e educação, três assuntos que muito me instigam. Ao longo de muitas discussões, reuniões e encontros com as crianças, percebi que nós, do Política na Escola, fazemos um trabalho essencial: plantamos a sementinha da criticidade, do interesse pelas questões políticas e do reconhecimento das crianças como agentes políticos não institucionais, o que  é essencial para a construção de uma sociedade, a longo prazo, mais ativa politicamente.

A experiência de participar do projeto de extensão ligada a outas experiências dentro e fora da universidade neste meu primeiro ano – incompleto- de UnB, fizeram-me refletir. É incrível como as perspectivas e pensamentos mudam a cada vivência no âmbito universitário. Desde que entrei na UnB, algumas certezas foram ratificadas e outras tantas se tornaram dúvidas, devido ao fato de entender que existem pontos de vistas distintos, realidades diferentes e, portanto, necessidades diversas. Dentre tantas dúvidas que permeiam meus pensamentos, posso afirmar com certeza: ainda tenho muito que aprender e a universidade muito a me oferecer. 

Amanda Ayres.

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Capital Cultural

“Bourdieu problematiza a questão do meio escolar enquanto reprodutor de desigualdades sociais. Apresentando, assim, as dificuldades das camadas marginalizadas no processo pedagógico.
Devemos buscar a superação do modelo tradicional de educação, superando, por consequência, o paradigma do meio educacional enquanto reprodutor de desigualdades.”

Gustavo José.

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Dissolver.

De repente, dissolvo-me. Deixo de ser, estou perdida no ar. Posso assistir tudo que fui, tudo que deixei de ser, tudo que havia decidido seguir, tudo que perdi no caminho. Fui muitas, muitas ao mesmo tempo, muitas mais em momentos diferentes. De tudo me afasto, chego perto do nada, mas algo me puxa e me prende na necessidade de ser.

A imprecisão, a incerteza e o vazio de não saber como voltar para mim mesma me tiram o sono e, algumas vezes, a força de vontade. Neste espaço em que me perco, também me encontro, ao me deixar pra trás, encontro-me logo à frente. Acredito que esse meu vagar entre quem sou é uma simples consequência de ser muitas.

 A multiplicidade me cerca, ela me invade, ela estremece todos os limites do que sou, ela me transforma no que nunca fui. Por vezes, sou envolvida por uma forma de ser tão leve, que não me permite ser nada. Essa fluidez dentro de mim, por mais contraditório que pareça, em muitas ocasiões, faz com que eu permaneça imóvel. Imóvel por não saber como responder àquilo que me chama, imóvel por ser puxada pra um lado e em seguida para outro e por último para lugar nenhum.

Como encontrar aquilo que se é? Como saber o que se é? Entre tantos deixar de ser, ocasionados por transformações internas e externas, por novas formas de pensar e se colocar, parece difícil ser, e saber o que se é, antes que já não se seja mais. Há algo imutável dentro de mim? Algo que me preenche nas horas escuras, algo que nunca me deixa, que me eleva nos momento de medo, que me impulsiona quando tremo diante do que está por vir?

 Seguindo caminhos como este, deparo-me simultaneamente com a necessidade e a impossibilidade da definição, e por fim admito e aceito a transitoriedade do que sou, esse ir e vir de formas de pensar e agir que me mantém em constante transformação. Aceito minha condição de mutação constante, no entanto, continuo a buscar qualquer coisa que mantenha todas as minhas partes unidas, que transforme o múltiplo em algo singular.

Encontro, então, um aconchego nas vezes em que todas as multiplicidades desejam um fim comum, e isso me impulsiona, faz com que saia do lugar nenhum que pairei anteriormente. Corro para frente, e muitas vezes, no sentido contrário, outra parte de mim corre. Encontramo-nos, estranhamo-nos, continuamos a correr. Sempre divididas, sempre muitas, sempre em trânsito.

 

Ananda Winter Marques 

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Um louco idealista

Sou um louco. Sou um louco idealista. A cada dia que passa, sinto uma angústia intensa por transformação. O sentimento que vivo é um tanto quanto paradoxal, pois ao mesmo tempo em que meu posicionamento se torna mais claro e definido, percebo um vazio singular. Esse vazio agoniante se fortalece quando presumo que não estou realizando o suficiente, visto que em diversas situações eu falho, e à medida que tenho sucesso, maior é a sensação de que poderia estar realizando mais.

Foi dito uma vez por meu pai que todo o discurso é ideológico. Essa afirmação, que em princípio instaurou uma série de reflexões na minha mente, começou a fazer muito sentido para mim nos últimos tempos, pois percebo na minha geração que o posicionamento é visto em várias ocasiões por uma ótica nociva. Nesse contexto, ficou muito evidente para mim que essa aparente neutralidade apresenta-se à reboque de um discurso que é ideológico. Com isso, em meio aos meus costumeiros devaneios, compreendi que o vazio que sinto está intimamente ligado à minha postura ativa e que de maneira alguma, deve ser mais forte do que eu.

Eu me posiciono diariamente. Me posiciono em todas as esferas e continuarei agindo de tal maneira. Esse vazio proveniente dos insucessos do cotidiano seguirá ocorrendo, mas eu seguirei tentando, uma vez que sei que o sentimento de não ter ousado pode ser mais doloroso do que o sentimento da falha. Toda essa experiência, independente do resultado final, está me engrandecendo, me tornando uma pessoa melhor. E mesmo com os diversos percalços do cotidiano, eu busco combustível nessa audácia, nesse idealismo, nessa loucura, pois só sendo um louco idealista para seguir tentando.

Pedro Abelin.

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Sobre se encontrar.

A escrita é como uma amiga de longa data. Na infância, veio a mim timidamente,meio vergonhosa, entre poemas ingênuos e letras tortas da própria idade. Poemas pra mãe, cartinha para as amigas, receita de bolo para a vó e o olho brilhando de dúvida e curiosidade ao saber que o avô aprendera a ler e escrever sozinho, sem sentar numa escola, lá em meados de 1930. Na adolescência chegou como quem fica: forte, decidida, com muita opinião – ainda que refletisse todo o querer-ser do momento. As literaturas que buscava não eram assim tão comuns a idade, me encantei ainda com 13 anos com o mundo de Sofia (um incentivo do padrinho, claro). “ O que você faz quando tem tempo, Luíza?” – perguntavam-me. “Eu leio e escrevo, ora essa!” – como se pudesse ser outra coisa…

Depois de algum tempo,perdida em meritocracia, redações dissertativas, correções, eu cansei. Achei que tivesse perdido o que me fazia tão eu. Achei que as letras, antes tão amigáveis e sentimentais, agora eram parte de sistema traumatizante e não poderiam significar  a singularidade que havia perdido em meio a tantas regras e “assim não pode”. Ora,  como é que se atrevem a limitar ou definir uma coisa que por si só já é liberdade? Em meio a tantos métodos e “deve-não-deve” como pode a escrita permanecer uma amiga que nada cobra senão coração?

Hoje, depois de longa data emburrada, ela me (re) aparece tão tradutora de mim, tão sabida dos meus sentimentos,tão dona da minha alma. Tão mulher. Vem como um abraço a mim, para que sempre e todo dia eu consiga me reconhecer. Minha velha amiga ,hoje é minha revolução pessoal. Meu acesso à nós.

Me constrói, me destrói, me perturba, me levanta, me esquerdiza, me feminiza. A escrita representa a própria democracia de sentimento que tantos buscam por anos a fio. Encontro nela, um motivo a mais pra continuar na imensa chuva de pensamentos que vivo diariamente.Além de palco, minha alma se constrói de letras, traduzidas do mais puro e verdadeiro coração. Se sei escrever? Bom… o que é saber escrever senão saber de nós mesmos?

Luíza Lucchesi.

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Quando o clichê vira realidade…

Passei horas pensando em temas mirabolantes, histórias intrigantes, lembranças que pudessem me auxiliar, textos para me ajudar, afinal palavras que se interligam para serem postadas no Política na Escola, precisam de uma alta carga de sensibilidade e sensatez.

E foi assim que eu cai em mim e percebi que o clichê ás vezes pode virar realidade, que as coisas simples podem servir pra eu me embasar, que o sentir, o ver, o ouvir, o participar podem se tornar palavras que quando se juntam se tornam amor.

Ok, vou explicar melhor! Todas as visitas que o Política na Escola fez, todos os encontros com as crianças, as atividades, aquelas duas rápidas horas ali, me levam a crer que no fim das contas se junta uma necessidade de carinho e atenção com uma vontade de dar amor e ensinamento. Vejo crianças com fome de aprendizado, ouço frases de crianças com um grande potencial e percebo uma ativa participação e interação todas as vezes em que me permito visitá-los com o projeto.

A horizontalidade que procuramos nos dias em que vamos à escola vai ao encontro da ideia de que não, nós não estamos tão distantes quanto a sociedade quer pregar que estamos, nós podemos sim, ensinar e aprender com as diversas vivências que temos. Já dizia Paulo Freire, “Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes” e o que queremos é multiplicar saberes, subtrair diferenças, somar amor e dividir experiências.

Satisfação é ver os olhos de crianças, que por vezes passam por situações tão difíceis em seu dia a dia, brilharem a cada vez que chegamos, ver um sorriso verdadeiro, ganhar um abraço tão sincero que faz a semana toda que foi cansativa, valer a pena. Por isso, no fim das contas, eu acho que Carlos Drummond de Andrade estava mais que certo ao afirmar que “eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata”. O simples, o pouco que na verdade é muito, os gestos, os valores que ali são construídos e alimentados, são estes, os verdadeiros ensinamentos que levarei do projeto pro resto da minha vida.

 

Lethícia Araruna.

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Gritos da nova geração.

Está tudo muito diferente do que era antes. A infância de hoje vê coisas que não se via há muito tempo, ou nem mesmo se viu. Protestos e manifestações, (re)descobriu-se o poder do povo.

Quando eu era criança, pensava que era loucura me preocupar tanto com o meu País. Enquanto eu pensava em ficar aqui e ajudar a progredir o Brasil, as outras crianças só pensavam no paraíso que era os Estados Unidos com sua Disney e seus super-heróis. Achava que a culpa de o Brasil não ser muito bom era dessas pessoas que não faziam nada por ele.

Assim que cresci, vi as manifestações de 2013 acontecendo. Percebi que ainda existia um desejo de mudar para melhor o País e que era compartilhado por muitos. Mas, o que eu não sabia era o efeito que isso causaria na geração de crianças.

Muitas notícias no jornal que diziam muitas coisas. Umas poucas boas, mas muitas muito ruins. Comecei a imaginar que todos que não tinham acesso às reais informações nunca saberiam a verdade, nem mesmo as crianças.

Em parte, eu estava errado. Programamos de ir a um encontro e conversarmos com eles sobre o que estava acontecendo no Brasil. Levantamos debates e levamos fotos das manifestações. No começo, pelo menos na nossa turma, não tive muitas surpresas: elas falavam exatamente o que os jornais na TV diziam. No entanto, mostrando o outro lado da situação, ou o real lado da situação, elas começaram a mudar de opinião. Claro que não foram todas, mas um número muito esperançoso para o Brasil.

Há erros na nossa sociedade. E, por incrível que pareça, elas conseguiam ver esses erros. Sabiam que fazer manifestação era correr atrás da correção dos erros, então elas poderiam fazer também. E fizeram. Dentro da escola. Talvez o ambiente mais repressivo que elas possam passar pela vida.

No começo tudo parecia distante. Depois, próximo. De repente, eles se sentiam dentro de tudo o que estava acontecendo no país. Os comentários que as crianças faziam também obedeciam a essa ordem.

Quando saímos, já estavam nos corredores outras turmas. Então, as crianças da nossa turma não se sentiram inibidas e entraram de cabeça no movimento. Muitos gritos e correrias. Esse é o jeito deles manifestarem.

Conseguiram, chamaram a atenção: diretora vindo. Ela começou com um método super repreensivo de mandar calar a boca. Três, dois, um… Ai de quem não calar a boca antes do um.

“O que vocês estavam fazendo?”, ela perguntou. “Manifestação”, responderam os manifestantes.

As crianças, a partir daquele dia, se sentiram agentes políticos. Descobriram o poder que o povo tem. Objetivo cumprido, ponto para o Política na Escola!

Arthur Henrique.

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